Pesquisadores do INCT Nexus participaram do ciclo de palestras Ecologia da Floresta Amazônica: Pesquisa e Sustentabilidade, na UEPA

A Universidade Estadual do Pará (Campus Castanhal) sediou o evento Ecologia da Floresta Amazônica: Pesquisa e Sustentabilidade, promovido pelos alunos do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária. O encontro realizado no dia 24 de outubro de 2024 contou com a participação de pesquisadores do projeto INCT Nexus perturbações antrópicas, novas trajetórias florestais e sustentabilidade na Amazônia, que compartilharam os resultados de suas pesquisas sobre os impactos ambientais decorrentes da exploração seletiva de madeira, intensificação do manejo do açaí e incêndios florestais na Amazônia.

A Dra. Maria Fabíola Barros, ecóloga colaboradora do Museu Paraense Emílio Goeldi e bolsista de pós-doutorado no Instituto Tecnológico Vale, abordou os efeitos das atividades antrópicas nas florestas tropicais, focando nos impactos da exploração seletiva de madeira na Amazônia, evidenciando como as comunidades vegetais respondem taxonomicamente e funcionalmente (principal dimensão dos resultados discutidos), e consequentemente, como os serviços ecossistêmicos estão sendo ameaçados por essas atividades.

Já o foco da apresentação do Dr. Madson Freitas, ecólogo e bolsista do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Pará (UFPA), foi a intensificação do manejo da palmeira açaí (Euterpe oleracea Mart.) no estuário amazônico e as suas implicações para a conservação. As pesquisas realizadas mostram que o aumento dos cultivos de açaí tem contribuído para a perda de espécies específicas do sub-bosque e a simplificação taxonômica, filogenética e funcional, tanto de plantas regenerantes quanto adultas, de acordo com a regulamentação disponível.

Os pesquisadores Maria Fabíola Barros, Madon Freitas e Vynicius Barbosa no ciclo de palestras.

O pesquisador enfatiza que os resultados evidenciam a perda de serviços de polinização, impactando a produção de frutos em paisagens altamente adensadas pelo açaí, ressaltando que a regulamentação vigente precisa ser revista para a continuação da prestação de serviços ecossistêmicos dessa floresta. Além disso, ele expôs achados de pesquisas socioecológicas sobre a relação entre os períodos de safra e entressafra do fruto e o uso de Produtos Florestais Não-madeireiros.

Por sua vez, o doutorando em Ciências Ambientais pela UFPA, MSc. Vynicius Barbosa apresentou as implicações da recorrência do fogo na resiliência das assembleias de plantas na Amazônia, mostrando os impactos no banco de sementes presente no solo. Apesar deste banco apresentar alta densidade de sementes, é composto por baixa diversidade taxonômica e funcional, podendo comprometer a recuperação florestal dessas áreas que dependem de sementes dispersas por vertebrados.

A pesquisa enfatiza que a manutenção da conectividade ente fragmentos é essencial para manter a dispersão de diásporos provenientes de remanescentes florestais antigos, o que pode ser inviabilizado em paisagens atingidas e vulneráveis pelo/ao fogo.

Dessa forma, o evento proporcionou discussões importantes sobre os desafios enfrentados na Amazônia diante das crescentes atividades antrópicas somadas às mudanças climáticas já em curso. Além disso, o ciclo de palestras foi um espaço relevante para a apresentação de resultados baseados nas pesquisas dos ecólogos sobre como a floresta Amazônica está respondendo aos diferentes tipos de perturbações antrópicas.

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